Delegação da Dinamarca acusa EUA de contradição e reforça defesa da reforma do Conselho de Segurança

Em entrevista exclusiva, representante da Dinamarca afirmou que o discurso dos Estados Unidos foi marcado por inconsistências, criticou o uso do poder de veto no Conselho de Segurança e voltou a defender mudanças na estrutura da ONU.

Entrevista feita em 10/09

Em entrevista à BBC, o delegado da Dinamarca foi questionado sobre a declaração anterior do representante dos Estados Unidos, que afirmou ter tido seu direito de resposta recusado. O delegado rejeitou essa versão e afirmou que o discurso norte-americano foi marcado por "inconsistências" e "hipocrisias".

Segundo o representante, a maior contradição observada foi o fato de os Estados Unidos defenderem, em seu pronunciamento, a paz, a ordem internacional e a preservação do direito de veto no Conselho de Segurança, enquanto, na visão da delegação dinamarquesa, utilizam justamente esse poder para impedir ações da ONU relacionadas à guerra em Gaza. O delegado afirmou que essa postura enfraquece a credibilidade da organização e compromete seus objetivos de manutenção da paz.

Durante a entrevista, o representante também criticou o que classificou como imperialismo norte-americano, citando como exemplos a independência de Cuba, a Base Naval de Guantánamo — que, segundo ele, viola direitos humanos — e a situação de Porto Rico, descrita pelo delegado como uma "colônia" dos Estados Unidos.

Questionado sobre a possibilidade de ampliar o número de membros permanentes do Conselho de Segurança em vez de extinguir o direito de veto, o delegado afirmou que considera mais eficaz reduzir os poderes de todos os membros do que conceder o veto a um número maior de países. Em sua avaliação, um Conselho composto apenas por membros rotativos e com decisões tomadas por maioria qualificada de dois terços seria mais democrático e funcional. O representante reconheceu, contudo, que uma reforma desse tipo dificilmente avançaria diante da resistência das grandes potências, que, segundo ele, ainda não aceitam plenamente o princípio da igualdade entre os Estados. 




Comentários