Delegação de Cuba reforça defesa da soberania nacional e do multilateralismo

Em entrevista exclusiva, representante de Cuba defendeu o multilateralismo, reafirmou a importância da soberania dos Estados e destacou a necessidade de proteger países mais vulneráveis à intervenção externa.


Entrevista feita em 09/06

Em entrevista à BBC, a delegada de Cuba afirmou que sua principal mensagem é a defesa do multilateralismo, da soberania nacional e do direito de cada Estado definir suas próprias políticas, sem intervenções externas. Segundo a representante, um dos temas mais importantes a ser debatido é a influência das grandes potências sobre países menores e historicamente colonizados. A delegação também declarou que sua prioridade durante os debates é defender os Estados mais afetados por intervenções internacionais e reforçar o cumprimento dos princípios estabelecidos na Carta da ONU.

Leia, a seguir, o pronunciamento completo da delegação de Cuba durante a sessão de abertura do dia 09/06:

Excelentíssimo Senhor Presidente, distintos delegados e delegadas, representantes das organizações presentes,

A delegação da República de Cuba agradece a oportunidade de participar deste importante debate acerca da soberania nacional e dos limites da intervenção internacional, um dos temas mais relevantes e complexos da atualidade.

Vivemos em um cenário internacional marcado por conflitos armados, disputas geopolíticas, sanções econômicas e crescentes tensões entre Estados. Diante desse contexto, torna-se indispensável refletir sobre uma questão fundamental: até que ponto a atuação de potências internacionais pode ocorrer sem comprometer a soberania e a autodeterminação dos povos?

Para a República de Cuba, a soberania nacional não constitui apenas um princípio jurídico consagrado pela Carta das Nações Unidas. Trata-se de um direito fundamental de todos os Estados, independentemente de seu tamanho, poder econômico ou influência política. A igualdade soberana entre as nações é um dos pilares que sustentam a ordem internacional e garantem relações baseadas no respeito mútuo e na cooperação.

A história demonstra que intervenções externas, medidas coercitivas e pressões unilaterais frequentemente produzem consequências profundas para populações inteiras. Em diversas ocasiões, ações realizadas sem amplo consenso internacional acabaram contribuindo para o agravamento de crises políticas, econômicas e humanitárias. Por essa razão, Cuba defende que nenhuma nação deve impor sua vontade sobre outra e que o diálogo deve sempre prevalecer sobre a coerção.

Ao longo de sua trajetória, a República de Cuba tem defendido de forma consistente os princípios da autodeterminação dos povos, da não intervenção nos assuntos internos dos Estados e da resolução pacífica de controvérsias. Esses princípios não representam apenas interesses nacionais, mas valores universais que devem orientar a convivência entre as nações.

Ao mesmo tempo, a delegação cubana reconhece a importância da cooperação internacional na promoção da paz, da segurança e da proteção da dignidade humana. Entretanto, acreditamos que tais objetivos somente podem ser alcançados por meio do multilateralismo, do fortalecimento das instituições internacionais e do respeito ao direito internacional. A proteção dos direitos humanos e a preservação da soberania não devem ser encaradas como objetivos opostos, mas como princípios que podem e devem coexistir.

Diante dos desafios contemporâneos, Cuba considera essencial fortalecer os mecanismos diplomáticos de mediação de conflitos, ampliar o papel da Assembleia Geral na construção de consensos internacionais e incentivar soluções coletivas que respeitem a independência política e a integridade territorial dos Estados. Da mesma forma, entendemos que medidas que impactam diretamente populações civis devem ser analisadas com extrema responsabilidade, sempre priorizando o bem-estar humano e a estabilidade internacional.

A delegação da República de Cuba acredita que a paz duradoura não será construída por meio da imposição, mas por meio do diálogo; não pela coerção, mas pela cooperação; não pelo enfraquecimento da soberania dos Estados, mas pelo respeito mútuo entre as nações.

Que este debate seja uma oportunidade para reafirmarmos os princípios que deram origem às Nações Unidas e para construirmos soluções verdadeiramente equilibradas, justas e sustentáveis para os desafios do século XXI.

Muito obrigada.

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