Delegação da Índia defende autodefesa e destaca papel tecnológico em entrevista

Em entrevista exclusiva, representante da Índia afirmou que o país mantém compromisso com a soberania, mas defende medidas de autodefesa contra ameaças terroristas e ressalta a importância do diálogo internacional.


Entrevista feita em 09/06

Em entrevista à BBC, a delegada da Índia comentou as discussões sobre o não reconhecimento da Caxemira como território do Paquistão. Segundo a representante, a Índia defende a soberania dos Estados, mas também afirma ter o direito de proteger seus cidadãos contra ameaças terroristas, classificando suas ações como medidas de autodefesa.

A delegada afirmou ainda que um dos pontos mais relevantes do debate é a busca por consenso, destacando o diálogo como elemento fundamental para a resolução de conflitos. Ela também defendeu a necessidade de discutir a situação do terrorismo no Paquistão, que, segundo sua avaliação, estaria fora de controle.

Por fim, a representante ressaltou que o recente desenvolvimento tecnológico da Índia pode contribuir para o fortalecimento do país no cenário internacional e ajudar no reconhecimento de sua posição como uma potência global relevante.

Leia, a seguir, o pronunciamento completo da delegação da Índia durante a sessão de abertura do dia 09/06:

Excelentíssima Senhora Presidenta e membros deste comitê,

A República da Índia agradece à Mesa Diretora pela administração da sessão e pela oportunidade de debater um tema tão relevante para a manutenção da paz e da segurança internacional.

Quando discutimos soberania nacional e intervenção internacional, estamos discutindo muito mais do que princípios legais. Estamos discutindo povos, culturas e o direito de cada nação de decidir seu próprio futuro.

A Índia é o lar de mais de 1,4 bilhão de pessoas. Somos uma democracia construída por centenas de línguas, religiões e tradições. Por isso compreendemos tão bem o valor da soberania. Para nós, ela não é apenas uma diretriz diplomática, mas a garantia de que cada povo possa preservar sua identidade e determinar seu destino sem imposições externas.

Entretanto, a realidade do século 21 nos obriga a enfrentar uma questão complexa: até que ponto a comunidade internacional deve intervir diante de crises ou conflitos?

A delegação da Índia acredita que não há uma resposta simples.

Por um lado, a história demonstra que intervenções realizadas sem respeito à Carta das Nações Unidas muitas vezes agravaram conflitos em vez de resolvê-los. A paz não pode ser estabelecida ignorando a vontade dos povos ou enfraquecendo a soberania nacional.

Por outro lado, também reconhecemos que não podemos permanecer indiferentes diante do sofrimento humano. Quando houver vidas em risco, o multilaterismo, a assistência humanitária e a diplomacia devem ser fortalecidos. No entanto, essas ações devem respeitar o direito internacional e a legitimidade das instituições.

Senhores delegados,

Entre os desafios que permeiam esse debate, o terrorismo se destaca.

Nenhum Estado deve ser obrigado a aceitar que grupos armados atravessem fronteiras, ataquem civis e saiam impunes. A soberania nacional é um direito de cada nação, mas  exige responsabilidades. Nenhum território deve ser utilizado para promover, apoiar ou abrigar grupos terroristas direcionados contra outro Estado.

A Índia defende, de forma consistente, uma política de tolerância zero ao terrorismo. Os ataques de Mumbai, em 2008, demonstraram ao mundo o impacto negativo que o terrorismo pode causar à população civil.

A Índia não se opõe à soberania do Paquistão. No entanto, acreditamos que todo Estado tem o dever de impedir que seu território seja utilizado por grupos terroristas que colocam em risco a estabilidade regional.

Ao mesmo tempo, acreditamos que as disputas entre os Estados devem ser resolvidas de forma pacífica e por meio do diálogo entre as partes envolvidas. A estabilidade internacional depende do respeito mútuo, da diplomacia e da construção da confiança entre as nações.

Colegas delegados,

O verdadeiro desafio deste comitê não é escolher entre soberania ou intervenção. O desafio é encontrar um equilíbrio entre ambos.

Precisamos de uma ordem internacional capaz de proteger os Estados mais vulneráveis sem comprometer sua independência. Precisamos de mecanismos que respondam a crises humanitárias sem transformar a intervenção em instrumento político. E precisamos, acima de tudo, de um sistema internacional que valorize o diálogo antes da força.

A República da Índia acredita que soberania e cooperação internacional não são princípios opostos. Quando guiados pela Carta das Nações Unidas, eles podem e devem caminhar lado a lado.

Senhora Presidenta,

Que esta conferência não seja lembrada como apenas mais um debate entre idealismo e realismo. Que seja lembrada como o momento em que decidimos que a comunidade internacional é mais forte quando age em conjunto, e não quando age sobre os outros.

A soberania respeitada é a base da confiança. E sem confiança, não há multilateralismo que resista.

A Delegação da Índia está pronta para trabalhar com todas as delegações de boa-fé na construção de um consenso que proteja vidas sem destruir Estados.

Agradecemos a atenção de todos e desejamos um debate produtivo a este comitê.

Muito obrigada.

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