Delegado russo apresenta condições para possível fim do conflito e critica decisões esportivas internacionais
Em entrevista, representante da Rússia afirma que objetivo inclui proteção de regiões russófonas na Ucrânia e acusa EUA de “desrespeito à soberania russa” em decisões da FIFA
Entrevista gravada em 09/06
Em entrevista, um delegado russo afirmou que o plano de Moscou para encerrar o conflito envolve a anexação de regiões ucranianas com populações russófonas e a defesa da soberania nacional “a qualquer custo”, até que a Ucrânia deixe de representar uma ameaça ou interferência. Questionado também sobre a participação dos Estados Unidos como sede de grandes eventos esportivos internacionais, apesar de conflitos recentes envolvendo outros países, o representante criticou a decisão e classificou como “um enorme desrespeito” à soberania russa, fazendo referência às sanções esportivas impostas ao país desde o início da guerra na Ucrânia.
Leia, a seguir, o pronunciamento completo da delegação da Rússia durante a sessão de abertura do dia 09/06:
Bom dia a todos.
Excelentíssima presidente Ana Clara e demais membros da mesa, distintos delegados e observadores,
A delegação da Federação Russa agradece a oportunidade de participar desta sessão e cumprimenta todas as nações presentes. Reafirmamos nosso compromisso com os princípios estabelecidos pela Carta das Nações Unidas, especialmente aqueles relacionados à soberania dos Estados, à integridade territorial, à igualdade entre as nações e à resolução pacífica de conflitos.
Em um mundo cada vez mais interconectado, mas também marcado por desafios políticos, econômicos e sociais complexos, torna-se fundamental que a comunidade internacional atue com responsabilidade, equilíbrio e respeito mútuo. A Federação Russa acredita que a cooperação entre os países deve ser baseada no diálogo construtivo e na busca por soluções que considerem as diferentes realidades e interesses de cada Estado.
A Rússia defende que a estabilidade internacional e a manutenção da paz dependem do respeito ao direito internacional e da valorização dos mecanismos diplomáticos. Entendemos que o fortalecimento das relações entre as nações deve ocorrer por meio da negociação e da cooperação, sempre preservando a autonomia e a soberania dos Estados.
Dessa forma, ao longo desta sessão, a delegação da Federação Russa estará disposta a colaborar com os demais países na construção de propostas realistas e equilibradas, capazes de promover a segurança, a estabilidade e o desenvolvimento internacional, respeitando os princípios fundamentais que regem esta organização.
A delegação da Federação Russa manifesta profunda preocupação com os recentes ataques israelenses em território libanês, que resultaram na perda de vidas humanas. A Rússia reafirma sua defesa da soberania dos Estados e considera essencial que todas as partes respeitem o direito internacional e evitem ações que possam ampliar a instabilidade regional.
A Federação Russa conclama Israel e os demais atores envolvidos a demonstrarem máxima contenção e a priorizarem soluções diplomáticas. A continuidade de operações militares que provoquem vítimas civis apenas dificulta os esforços em prol da paz e da segurança no Oriente Médio. A Rússia defende o diálogo como o único caminho sustentável para a resolução do conflito.
A delegação da Federação Russa agradece o posicionamento da Dinamarca, porém ressalta que a defesa da soberania nacional não pode ser interpretada de maneira seletiva. A Rússia reconhece a gravidade do conflito em curso, mas sustenta que questões de segurança nacional e estabilidade regional devem ser analisadas em toda a sua complexidade, e não por meio de simplificações.
Além disso, a Federação Russa reafirma que soluções duradouras não serão alcançadas por acusações mútuas, mas sim pelo diálogo, pela diplomacia e pela busca de garantias de segurança para todas as partes envolvidas. Dessa forma, convidamos a delegação da Dinamarca a contribuir para um debate construtivo, focado em soluções práticas e na promoção da paz.
A delegação da Federação Russa destaca que a incorporação das regiões em questão ocorreu com base no princípio da autodeterminação dos povos, princípio igualmente reconhecido pela Carta das Nações Unidas. Na visão da Federação Russa, uma parcela significativa da população dessas regiões expressou o desejo de estabelecer laços políticos mais estreitos com a Rússia, especialmente após anos de tensões e instabilidade.
A Rússia também sustenta que sua atuação buscou garantir a segurança das populações locais e proteger seus interesses diante de circunstâncias que considerava ameaçadoras à estabilidade regional. Reconhecemos que esse tema permanece objeto de intenso debate internacional. Entretanto, a Federação Russa defende que uma solução duradoura exige diálogo, negociações e consideração dos interesses e preocupações de todas as populações envolvidas. Não permitiremos que ninguém ameaçe a Rússia.
Muito obrigado.
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